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Trabalhar e estudar fazendo veterinária: tem como?

Outra pergunta muito comum lá na FanPage, principalmente de vestibulandos que estão pensando em prestar medicina veterinária é: tem como trabalhar em outro lugar fora da faculdade, estudando medicina veterinária? Principalmente por dificuldades financeiras se você não tem apoio dos seus parentes, porque nesse caso fica difícil realizar a faculdade.

A resposta é… bem complicada. Principalmente porque depende de alguns fatores: se a faculdade é pública ou particular; qual o período da faculdade; qual cidade você irá estudar; em que pretende trabalhar durante o curso; e o seu pique para isso.

Faculdade pública ou particular?

Esse ponto entra em questão porque algumas particulares têm um período só, manhã ou tarde, enquanto as públicas geralmente são integrais. É lógico que mesmo sendo integral, nem todos os períodos são preenchidos, mas normalmente os buracos que a gente tem no horário são bem ruins. Às vezes eu tinha aula durante a manhã inteira e a tarde eu tinha uma única aula, das 5 às 6 da tarde. Fica um pouco complicado trabalhar nesse tempo, principalmente se você não tem carro. Naquelas de apenas um período fica mais tranquilo conciliar. Já existem algumas faculdades de veterinárias noturnas, mas eu não sei como funciona e ainda são pouquíssimas, por isso não tenho como confirmar para vocês.

A cidade

A cidade também influencia porque depende da disponibilidade de emprego e da distância que você terá que percorrer entre a faculdade e o trabalho. Se você mora em São Paulo, por exemplo, ficaria pelo menos uma hora no trânsito entre a facul e o trabalho, tornando bem complicado conseguir encaixar os horários. Agora, em cidades menores, como Botucatu, Londrina, Santa Maria, às vezes fica mais fácil.

Seu trabalho influencia

Se você vai conseguir trabalhar durante o curso dependerá do tipo de trabalho, também. Às vezes um trabalho fixo é mais difícil, mas vários amigos meus, por exemplo, trabalhavam aos finais de semana como garçons, e conseguiam tirar uma graninha razoável, que ajudava muito no final do mês. Mas, assim, haja pique! Hahaha! A faculdade já é muito cansativa e para você ter pique para trabalhar todo final de semana tem que ter muito ânimo e, principalmente, força de vontade.

Um alternativa, muitas vezes inviável – eu sei – mas ainda assim uma alternativa, são as bolsas que você poderá conseguir durante a faculdade. Desde bolsas de iniciação científica até bolsas de extensão, elas variam geralmente em torno de 400 reais mensais. É muito pouco, mas pode ajudar. O problema é que geralmente é bem difícil conseguir, principalmente dependendo da faculdade que você estuda.

Eu, felizmente, nunca precisei trabalhar durante a faculdade porque meus pais me bancavam, mas sempre foi bem apertado. Depois que eu criei o Vet da Deprê e comecei a encará-lo como um trabalho, o blog começou a ajudar no orçamento, mas ainda assim sempre dependi dos meus pais para tudo. No terceiro ano eu consegui uma bolsa de iniciação científica, mas ela servia mais como um leve complemento do que como uma fonte de renda propriamente dita (R$210!!!).

No final da faculdade eu tinha o Vet da Deprê, a iniciação científica, TCC e estágio curricular e meu tempo já era beeeemmm apertado. Então fico imaginando quem realmente precisa trabalhar durante o curso. Não estou querendo desanimar ninguém, longe de mim, mas força de vontade terá que ser fundamental para aqueles que precisarão enfrentar esse desafio durante o curso.

Outra alternativa é realizar faculdade particular em um período com programas de incentivo do governo (como o ProUNI ou o Fies) e trabalhar no outro. Mas se você tem foco lembre-se: nada é possível e não desista nunca! Se você quiser, ninguém poderá tirar o seu sonho de você, :). 

E você, trabalhou durante a faculdade e concluiu o curso com sucesso? Conta pra gente como foi, nos comentários! 

 

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Criou o Vet da Deprê em 2011, quando ainda estava na faculdade. Hoje é Mestrando em Ciência Animal pela Universidade Estadual de Londrina. Gosta muito de marketing digital, é cachorreiro nato e não dispensa um bom livro. Instagram: @lgcorsi