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O primeiro diagnóstico a gente nunca esquece!

Fazia muito tempo que eu queria compartilhar com vocês uma coisa que a gente nunca esquece: nosso primeiro diagnóstico. É um sentimento realmente excitante e, quando você consegue chegar lá, por mais simples que seja, aí sim você acha que nasceu pra isso, nasceu pra ser médico veterinário!

Bom, o meu primeiro diagnóstico all by myself foi logo que entrei na residência. Na verdade, foi na segunda semana de residência. Eu estava rodando pelo setor de reprodução de pequenos animais, ao qual eu havia prestado prova (aqui na faculdade os R1s rodam entre todos os setores de pequenos, cada mês em um setor).

Subiu para mim, para consulta, uma cadelinha de 2 anos e porte médio chamada Mel que, segundo o proprietário, estava com sangramento vaginal há uns 5 dias. Fiz citologia vaginal e, além das hemácias, as células eram características de anestro, e também não tinha nenhuma célula parecida com TVT. Na palpação também não tinha nada diferente, e na vaginoscopia também não.

No hemograma, ela tinha anemia leve, e uma leucopenia leve também (não lembro os números e nem a contagem diferencial, haha, mas algo em torno de 5-6 mil leucócitos). As plaquetas estavam normais. Aí pensei “eepa, tá meio estranho isso aqui!” haha. Como o sangramento continuava, encaminhei para ultrassom abdominal. O interessante é que o proprietário disse que era sangue mesmo, não em grande quantidade, mas era sangue. Piometra com leucopenia é difícil né, mas nada excluísse uma hemometra, talvez.

O estalo veio junto com o laudo: aumento leve uterino, com presença de pouca secreção intrauterina. Mas o bacana veio em uma observação do ultrassonografista: imagem diferencial para aborto. Oopa, quais são os diferenciais para aborto? Existem vários e vários, mas uma coisa muito comum aqui na região é a tal da… leptospirose!

rain boot

Não deu outra, enviamos urina para campo escuro e logo ali já deu positivo para lepto. Fizemos PCR também, não me lembro os sorovares, mas já foi o suficiente para entrar com tratamento e orientar o proprietário sobre os cuidados com zoonoses e tal. Infelizmente a cadelinha não voltou mais nos retornos, mas acredito que ela tenha ficado bem, pois não tinha nenhuma outra sintomatologia. Inclusive, apresentava leucopenia, o que é incomum em lepto, mas já valeu como uma ótima lição!

E com vocês, quais foram seus primeiros diagnósticos? Espero que tenham ficado tão felizes quanto eu, hahaha! Postem nos comentários, afinal, a troca de experiências é sempre bem vinda! 🙂

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Criou o Vet da Deprê em 2011, quando ainda estava na faculdade. Hoje é Mestrando em Ciência Animal pela Universidade Estadual de Londrina. Gosta muito de marketing digital, é cachorreiro nato e não dispensa um bom livro. Instagram: @lgcorsi