Artigos

Como decidi ser médico veterinário

Não foi sempre que eu quis me tornar veterinário. Desde criança, meu sonho sempre foi ser paleontólogo, mas existem algumas coisas que acontecem em nossa vida, que nos fazem mudar completamente de pensamento e, meio ao estilo Efeito Borboleta, mudar completamente nossa vida.

Sempre tive muitos cães e, por isso, aprendi a amá-los desde cedo, mas ainda assim não passava muito pela cabeça fazer vestibular para medicina veterinária. Já pensei em prestar para odontologia, educação física ou fisioterapia. Durante o cursinho, cheguei a prestar como treineiro para os cursos de design gráfico, e até mesmo química (tinha nota para passar, mas zerei matemática, ponto para mim, haha). Mas, como havia dito, acontecem coisas na nossa vida que mudam completamente nossos planos.

Meus pais sempre permitiram que eu tivesse cachorros, mas sempre fora de casa. Para eles, cães eram cães e ponto final. Mesmo que eu implorasse para termos um cachorrinho dentro de casa, a opinião deles era firme e absoluta em relação ao assunto. Isso tudo, até meu pai receber uma pinscher filhotinha de seu chefe, e ser “obrigado” a levar a cachorrinha para casa. No começo, a intenção era conseguir doá-la o quanto antes. Mas vocês sabem como é, não há um coração gelado no mundo que não se entregue aos carinhos e mimos de um cachorrinho dengoso.

A Mel virou a dona da casa, literalmente, pois no quintal do lado de fora tínhamos o Bóris e a Leona, dois pitbulls. Eu ia de manhã para colégio e só voltava para casa à noite, enquanto meu pai passava o dia inteiro fora e, então, minha mãe que era contra cães dentro de casa, encontrou uma nova companheira para passar o dia. No final das contas, a Mel tomava banho com a gente, dormia nos nossos pés e até mesmo cuidava da casa. Ah se algum desconhecido ousasse chegar perto da gente!

Isso tudo até que um dia meus pais foram jantar fora e fiquei sozinho em casa com a Mel, que até então parecia estar bem. Estávamos assistindo filme até que, do nada, ela começou a rosnar para mim e se debater de uma forma como nunca havia visto nenhum outro cachorro fazer antes. Liguei imediatamente para meus pais, eles voltaram e levaram a Mel para o Hospital Veterinário da PUC, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). No final das contas, a Mel estava com cinomose, e infelizmente foi realizada sua eutanásia.

Não lembro exatamente os detalhes, pois tinha uns 10 a 11 anos, mas todos ficamos muito abalados, e minha mãe acabou perdendo sua companheira. Após alguns meses de solidão, ela recebeu a notícia que a poodle de uma amiga estava prenha, e que receberia um poodlelzinho negro de presente e, de repente, minha casa estava novamente repleta de alegria.

Para que não houvesse novamente alguma chance de acontecer o mesmo que aconteceu com a Mel, logo minha mãe levou o Caco para vacinar e tomar vermífugo. Tudo estava como era antes, tirando o fato de que o Caco era ainda mais elétrico do que a Mel e não parava quieto. Até que em um domingo ele começou a ficar mais quietinho e apático, então levamos novamente para o Hospital e, dessa vez, além de ficar internado, o Caco foi diagnosticado com parvovirose e também não resistiu.

Foi a partir desse momento que decidi ser Médico Veterinário. Queria respostas, queria saber por que aquilo acontecia e como poderia evitar mais dor para as diversas pessoas que possuíam cães e gatos como membros da família. Ninguém deveria passar por esse tipo de sofrimento, aliás, nenhum animal deveria passar por esse tipo de sofrimento. Eu faria tudo o que estivesse ao meu alcance para mudar esta situação e ninguém mais passar por isso.

Existem coisas que nos marcam profundamente e fazem com que mudemos totalmente o rumo do nosso futuro. Se não fosse a Mel ou o Caco, hoje, eu com certeza estaria fazendo Geografia pensando na Paleontologia, ou ainda Odonto ou Educação física.

E com vocês, como surgiu a descoberta do dom de ser Médico Veterinário? Tenho certeza que cada um tem sua própria história, e seria muito legal se compartilhassem com a gente, e ajudassem que ainda está em dúvida a se decidir se esta é a carreira correta a se escolher, o que acham? :).

Previous ArticleNext Article
Criou o Vet da Deprê em 2011, quando ainda estava na faculdade. Hoje é Mestrando em Ciência Animal pela Universidade Estadual de Londrina. Gosta muito de marketing digital, é cachorreiro nato e não dispensa um bom livro. Instagram: @lgcorsi