Apenas 41% dos veterinários recomendariam a profissão a um membro da família ou amigo

Este texto é uma tradução livre do artigo publicado no site feedstuffs.com, intitulado “Study reveals concern about future of veterinary profession”, clique aqui para ler o texto original.


A Merck Animal Health (conhecida como MSD fora dos EUA e Canadá) anunciou os resultados de um grande estudo controlado com veterinários, desenhado para quantificar definitivamente a prevalência de doenças mentais e estresse na profissão veterinária e comparar os achados com estudos anteriores e com a população geral dos EUA.

Conduzido em colaboração com a American Veterinary Medical Association (AVMA) e a MSD, o estudo encontrou que veterinários com menos de 45 anos são mais propensos a graves estresses psicológicos, e apenas 27% disseram que recomendariam a profissão a um amigo ou membro da família, disse o anúncio.

“Essa pesquisa é única na medida em que, pela primeira vez, uma amostra de veterinários representativa dos Estados Unidos foi questionada sobre o seu bem-estar, que é uma medida mais ampla de felicidade do que apenas a saúde mental”, afirmou a pesquisadora Dra. Linda Lord, acadêmica e aliada da indústria na MSD. “Com base nos resultados da pesquisa, estamos particularmente preocupados com os veterinários mais jovens, pois são o futuro da nossa profissão. Devemos trabalhar juntos para promover um estilo de vida saudável, incluindo o equilíbrio entre o trabalho e a vida, o acesso aos recursos de bem-estar e redução de dívidas.”.

De acordo com o “Estudo de Bem-Estar Veterinário (Merck Animal Health Veterinary Wellbeing Study)” da MSD, cerca de um a cada 20 veterinários sofre de sério estresse psicológico, o que está de acordo com a população em geral. No entanto, ao segmentar os dados por idade, os veterinários mais jovens são mais afetados pelo estresse financeiro e emocional da vida profissional em comparação com os veterinários mais velhos do sexo masculino e indivíduos da população em geral. Depressão (94%), burnout (88%), e ansiedade (83%) são as condições mais frequentemente relatadas que afetam a saúde mental.

Muito estresse, pouca valorização

Entre os veterinários mais jovens, a alta dívida estudantil foi a principal preocupação expressada, com 67% avaliando isso como importância crítica. Em 2017, de acordo com a AVMA, o estudante de medicina veterinária em geral se formou com mais de US$138.000 em dívida estudantil, que é quase o dobro do salário inicial de um médico veterinário, criando uma pressão significativa para o futuro da profissão.

Na sequência da dívida estudantil, os inquiridos relataram preocupação com outros problemas sérios que os jovens profissionais enfrentam hoje, como os níveis de estresse (53%), e as taxas de suicídio (52%). A má saúde mental está intimamente associada ao estresse da vida profissional, com o excesso de horas de trabalho, pouco reconhecimento financeiro e dívida estudantil.

Apenas metade dos veterinários com séria angústia psicológica procuram ajuda, o que cria um grande hiato de tratamento para a saúde mental, disse o estudo. Isso é agravado pelo fato de que poucos empregadores oferecem programas de assistência aos funcionários. Além disso, apenas 16% dos veterinários já tiveram acesso a recurso envolvendo bem-estar e saúde mental através de organizações veterinárias estaduais ou nacionais.

“Os veterinários hoje lidam com uma ocupação física e emocionalmente exigente que está passando por mudanças de aumento de concorrência e diminuição do poder aquisitivo dos clientes dispostos a pagar por serviços veterinários. Além disso, os veterinários muitas vezes se encontram renunciando às coisas que melhorariam o seu bem estar e proporcionariam uma vida equilibrada e saudável, como família, amigos e tempo para autocuidados”, disse Jen Brandt, diretora de iniciativas de bem-estar e diversidade da AVMA. “Como uma organização que atende veterinários, nossa missão é proteger a saúde e o bem-estar de nossos membros e o futuro da profissão. Como parte desses esforços, trabalhamos continuamente para identificar recursos acessíveis e assistência relacionada ao bem-estar e à saúde mental. Estudos de saúde mental como o “Veterinary Wellbeing Study” fornecem orientações úteis sobre os tipos de recursos e educação que podem ser benéficos.”.

Escolha da carreira

A pesquisa mostrou que os veterinários hoje não endossam fortemente sua profissão. Apenas 41% dos veterinários em geral recomendariam a profissão a um amigo ou familiar; mesmo um grande número de pessoas que obtêm altos níveis de bem-estar e saúde mental não recomendam a profissão. Para aqueles com 34 anos ou menos, a taxa de endosso cai para 24%, enquanto 62% dos veterinários com 65 anos ou mais recomendariam a profissão.

“A MSD orgulha-se de de associar com a AVMA para realizar este importante estudo para entender melhor os desafios enfrentados na profissão veterinária”, disse Scott Bormann, vice-presidente de operações comerciais da MSD. “Estamos empenhados em trabalhar com a AVMA e outros para apoiar os veterinários, criando conscientização e oferecendo assistência e recursos, incluindo cerca de US$ 3 milhões em bolsas de estudo nos últimos três anos, e continuaremos buscando maneiras de impactar positivamente o bem-estar de veterinários e enriquecendo as possibilidades para o futuro desta profissão.”.


E aí galera, o que acharam? Lendo esse texto eu só consigo imaginar aquela expressão irônica “se já está difícil pra nós, imagina para a classe média”, hahaha. Se já está difícil para os norte americanos, imagina para nós, no BRBR. Na divulgação do estudo, que você pode ler aqui, a MSD concluiu que a medicina veterinária não está em crise, embora haja esse gap no tratamento das doenças mentais dos médicos veterinários. Lá fora eu até acredito que não haja essa crise, mas como você encararia a situação da nossa profissão em nosso país? Eu já fiz um texto sobre burnout e a situação parece preocupante. Poste a sua opinião nos comentários! :).

O que os veterinários sabem que os médicos não sabem

Na última semana eu tive a oportunidade de participar de um congresso muito interessante aqui em Londrina, o COPESAH, sobre pesquisa em saúde animal e humana. Um dos enfoques desse evento foi “One world, one health”, frisando a importância de tratarmos a saúde pública como um todo e com equipes multidisciplinares, desde médicos, psicólogos, cirurgiões dentistas, médicos veterinários, etc.

E nisso, eu lembrei de duas palestras interessantíssimas ministradas no TED. Uma da médica cardiologista Bárbara Natterson-Horowitz, que foi convidada para realizar um ecocardiograma em uma chipanzé e que, depois disso, teve sua forma de enxergar a medicina totalmente alterada pela veterinária. A outra é da veterinária Molly Dominguez, que fez uma rápida introdução sobre a importância da veterinária na saúde pública. Esses dois vídeos são interessantíssimos e valem a pena serem vistos por todos os médicos e médicos veterinários!

Para ativar as legendas desse vídeo, é só clicar no quadradinho branco, ao lado da engrenagem que fica abaixo da linha do play.

Interessantíssimo, não é gente?

Para que gostou, a Dra. Bárbara também tem outro vídeo no TEDx, em que ela faz uma abordagem levemente diferente. Esse eu ainda não consegui legendar, mas é bem fácil de entender.

O papel do veterinário contra o bioterrorismo – Olimpíadas 2016

Um tuíte publicado na rede chamou a atenção mundial, onde dizia: “Brasil, vocês são nosso próximo alvo. Podemos atacar esse País de m…”. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) considerou o perfil do jihadista autêntico e em nota afirmou: “A probabilidade de o país ser alvo de ataques terroristas foi elevada nos últimos meses, devido aos recentes eventos terroristas ocorridos em outros países e ao aumento do número de adesões de nacionais brasileiros à ideologia do Estado Islâmico”.

Jihadista do Estado Islâmico
Perfil do Twitter do Jihadista que disse que o Brasil será o próximo alvo do Estado Islâmico (foto: Reprodução/Twitter)

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