Livros de veterinária que todo estudante deveria conhecer #2

Dando continuidade à postagem Livros de Medicina Veterinária que todo estudante deve conhecer, passamos agora para os livros do segundo ano letivo de um acadêmico de vet.

A grade curricular das universidades brasileiras muda bastante, mas é fato que o segundo ano é uma época de transição. Deixamos para trás aquele estudo básico de célula por célula e passamos a encarar o corpo animal como um todo. Embora o estudante só veja as doenças propriamente ditas no terceiro ano, é no segundo que temos os primeiros contatos com os agentes etiológicos pelas matérias de microbiologia e parasitologia, além da introdução dos conteúdos zootécnicos com melhoramento genético, da forragicultura, da nutrição e da alimentação animal. A farmacologia entra como uma continuação da fisiologia, e passamos a ter matérias essenciais para a vida profissional de um agente sanitário, como é o caso da epidemiologia.

Como dever de todo bom estudante (ou não), segue abaixo alguns livros essenciais para o estudo das matérias acima citadas e que, de certa forma, me ajudaram bastante em minha vida acadêmica.

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A bolha das faculdades de veterinária no Brasil

Há muito tempo eu vejo diversos veterinários reclamando sobre o número de faculdades de medicina veterinária no país, mas nunca li nada na internet sobre. Por isso resolvi escrever este artigo, justamente para fomentar a discussão sobre o tema.

A verdade é que o Brasil é um dos países com maior número de faculdades de medicina veterinária no mundo, isso se não for o maior. Na última palestra que assisti do CRMV, disseram que existiam 203 faculdades, sendo que essa palestra já foi há algum tempo, portanto, pode-se colocar mais uma meia dúzia nessa contagem. Para vocês terem uma ideia, nos Estados Unidos existem cerca de 30 cursos de graduação. Sete no Reino Unido. Treze na nossa vizinha Argentina. Só no Paraná eu contei umas 16 faculdades de cabeça, mas devem existir muito mais.


Atualização em janeiro/2019: em consulta ao site do MEC, existem atualmente 379 polos de ensino de veterinária no país.


Se a gente colocar uma média de 40 alunos por turma (média baixa, por sinal), nós teremos cerca de 8 mil novos profissionais no mercado, todos os anos! É lógico que é excepcional a população ter mais acesso ao ensino superior, e não estou nem questionando a saturação do mercado – que está saturadíssimo, inclusive – mas minha preocupação é com a inerente baixa qualidade desse ensino. O meu medo é que isso acabe virando uma bola de neve, agravando cada vez mais a situação da nossa profissão no país que, convenhamos, já é um tanto quanto caótica.

Como o mercado já não comporta tantos profissionais, inclusive os qualificados, muita gente acaba vendo como única alternativa a docência nestas novas faculdades, virando um círculo vicioso de formação de novos alunos. No final das contas, os únicos que realmente saem ganhando são os donos destas faculdades, que jogam a mensalidade lá em cima, disponibilizando baixa infraestrutura. Afinal, medicina veterinária é o segundo curso de graduação mais rentável para as faculdades, perdendo apenas para medicina. Não é raro eu ver algum leitor do Vet da Deprê reclamando que a sua instituição não possui clínica para atendimento ou laboratórios.

Este é um assunto muito pouco debatido, e é por isso que eu gostaria de propor a discussão dele aqui com vocês. A princípio, eu não enxergo nenhuma solução factível a curto e médio prazo. Na verdade eu me considero liberal e acredito que essa seja uma resposta do mercado: se há oferta, é porque há demanda. Se estão abrindo cursos a torto e a direito é porque existem alunos querendo estudar. O problema é que a demanda para os cursos de graduação existe por parte dos estudantes, mas será que existe demanda para novos profissionais no mercado? Não existe, definitivamente. Uma hora ou outra, dentro dos próximos 10 ou 15 anos, a bolha vai estourar: estes profissionais formados com uma base ruim não terão onde trabalhar (ou até terão, mas com remuneração esdrúxula) e a saída será deixar a medicina veterinária. Eu ainda concordo com aquele ditado “quem é bom, encontrará mercado”, mas o problema até aí é que a nossa profissão irá sofrer um desgaste muito grande, como citei neste artigo. Torçamos para que isso não afete ainda mais a sua credibilidade.

Mas eu gostaria muito de saber a opinião de vocês! Vocês veem um futuro animador para esta questão em nossa profissão? Será que um dia essa “bolha” das faculdades de medicina veterinária vai realmente estourar? Se é que já não estourou, né…

Deprecast 03 – Minha história com a Medicina Veterinária

Sejam bem vindos ao Deprecast, o podcast do Vet da Deprê! Podcasts são como programas de rádio, só que disponibilizados online, onde os integrantes podem discutir sobre vários assuntos. E o melhor: vocês podem baixá-los para ouvirem onde quiser!

Neste terceiro podcast o médico veterinário Luiz Guilherme, criador do Vet da Deprê, conta sua trajetória sobre como conseguiu passar no vestibular de veterinária da UEL, para incentivar os pré-vestibulandos a não desistirem de seus sonhos!

Duração: 27 minutos. Data: 25 de agosto de 2016.

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(clique com o botão direito do mouse e “salvar como”)

Gostaria de aparecer no próximo programa? Envie um e-mail para contato@vetdadepre.com.br contando suas experiências quando recém-formado ou comentando alguma coisa relacionado a este programa! Ele poderá ser lido no Deprecast 03!

Citado no podcast:

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Diário de um estudante de veterinária #2

Em julho do ano passado, eu decidi que tomaria um rumo na minha faculdade, e resolvi fazer estágio no HV. Então eu ia, por duas semanas, toda feliz para o meu estagiozinho na Clinica Médica de Pequenos Animais.

Um belo dia, no período da tarde (onde eram atendidos apenas casos novos) chegou um casal. Ele, o estereótipo do fazendeiro que toda mulher um dia gostaria de casar: alto, musculoso, óculos estilo aviador, caminhonete. Ela, a típica patricinha que só estava com o cara por causa do dinheiro dele: megahair, muitas joias, corpo resultado de horas de academia. Daí você pensa que eles estavam levando um pittbull, ou um boxer, ou então um blue heeler, não é? Errado! Eles estavam levando um poodle para consulta (na ficha falava que era um sheepdog, mas se aquele animal era um sheepdog, minha vira-lata é um perfeito Pastor Alemão).

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