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A ivermectina pode matar o novo Coronavírus?

Olá pessoal, esse texto simples é uma sugestão para compreensão do estudo recente sobre o uso da Ivermectina como inibidor do SARS-Cov-2 (Coronavírus). Você pode acessar o artigo original “The FDA-approved Drug Ivermectin inhibits the replication of SARS-CoV-2 in vitro” clicando aqui.

É importante entender que se trata de um estudo in vitro, ou seja, os estudos in vitro são feitos de forma controlada fora do organismo de um ser vivo. As vantagens incluem a biossegurança em laboratório, a uniformidade dos resultados observados e, em alguns casos, a rapidez em se obter os resultados. Já a principal desvantagem é que alguns estudos podem ter uma certa desconformidade com o que ocorre dentro de um sistema vivo onde há reações e interações constantes entre todas as moléculas presentes neste sistema. No caso deste estudo, os autores avaliaram os efeitos da ivermectina sobre cultura de células – VeroHSLAM (1) que, mesmo não sendo de origem humana, representa uma cultura de células frequentemente utilizada em estudos sobre diferentes vírus (2). Os autores observaram que o tratamento com ivermectina após 24 h resultou em uma perda efetiva do material viral sobrenadante comparado com o controle (DMSO ou dimetilsulfóxido – composto muito utilizado como solvente), e em 48h houve perda de praticamente todo o material viral, além de que não observaram toxicidade causada pelo composto. Ou seja, a ivermectina não provocou efeitos nocivos às células veroHSLAM.

A ivermectina utilizada nestes estudos é o composto purificado como padrão de análise (notem que utilizaram 5 micromolar) e aparentemente foi dissolvida em DMSO, pois este foi utilizado como controle. Não é simplesmente a Ivermectina da farmácia, o Ivomec, ou qualquer outro nome comercial cujo princípio ativo seja a Ivermectina. Vetcolegas por favor gravem isso, isso é o mais importante neste texto! Vamos fazer a nossa parte, não sejamos negligentes em divulgar que um medicamento é simplesmente eficaz causando histeria na população e esgotamento do produto no mercado.

Esses pontos são essenciais pois a falta de informação detalhada pode gerar a falsa conclusão de que existe uma droga prontamente disponível para ser utilizado no tratamento da CoVID-19. É importante ressaltar que a fabricação e liberação de medicamentos humanos e veterinários requer pesquisas e estudos de eficácia e segurança clínica. A ivermectina já detém tais estudos, pois é um medicamento com segurança clínica para uso em humanos e animais atestada pela FDA/USA – Food and Drug Administration (3), no entanto, a eficácia contra o SARS-Cov-2 precisa ser melhor investigada, como os próprios autores sugerem na conclusão do artigo.

É preciso ter senso crítico quando lemos artigos científicos, mas também é preciso enaltecer as pesquisas, em especial esta que traz uma abordagem a respeito de uma droga usualmente antiparasitária e que já demonstrou eficácia in vitro contra vírus da Dengue, HIV, Zika, doença de Newcastle entre outros agentes virais (4). Os resultados apresentados por Caly et al. (2020) reforçam o potencial terapêutico da ivermectina, favorável a maiores investigações.

Agora quero contar a história da descoberta da ivermectina, que eu particularmente amo! A ivermectina é um composto da classe das lactonas macrocíclicas e foi descoberta na década de 60 por um grupo japonês liderado por Satoshi Omura, que pesquisava cepas de microrganismos do gênero Streptomyces presentes no solo e conhecidas por produzir compostos com atividade antimicrobiana. Omura isolou e cultivou estas cepas em laboratório e selecionou pelo potencial terapêutico.  Em pesquisas com algumas destas cepas, o pesquisador americano William Campbell verificou a eficácia contra parasitas e a ivermectina se tornou o principal composto utilizado contra oncocercose (cegueira dos rios) e filariose (elefantíase). O impacto desta pesquisa é notável principalmente nos países mais pobres onde a dificuldade de prevenir e tratar doenças parasitarias produz resultados dramáticos. Os principais envolvidos nesta pesquisa: Omura e Campbell receberam o prêmio Nobel em 2015 (5).

Finalizando essa análise simplista, quero destacar a importância da ciência. A história da ivermectina ilustra bem como a ciência é importante para todos.

Pesquisadores que trabalharam em 1960 e cujas pesquisas impactaram a vida de muitas pessoas nos anos subsequentes, podem continuar impactando significativamente em 2020.

A ciência funciona como peças de lego, uma rede de pessoas que disponibiliza seus recursos intelectuais e sua força de trabalho para construção de uma peça. Oferecemos nosso tempo e a nossa vida em prol de algo em que acreditamos, pois um dia essa peça será importante na construção de algo grandioso.

Sigamos esperançosos de que a ciência nos trará bons resultados em breve, como um protocolo de tratamento e uma vacina.

Me coloco a disposição para discussão, sugestões e outros assuntos relacionados a este e outros artigos.

 

Poliana Araujo Pacheco

Médica Veterinária Msc.

Aluna de Doutorado da Universidade de São Paulo – Centro de Energia Nuclear na Agricultura – Piracicaba/SP.

Bolsista FAPESP/ Projeto: Incremento da atividade anti-helmíntica da ivermectina pela ação sinérgica de compostos fitoquímicos em Haemonchus contortus

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Tratamento de canal em TIGRE! Wild Vets Brasil

Aposto que você sempre ficou babando nos programas de televisão gringos do Discovery Channel e do Animal Planet, que passavam veterinários de grandes, pequenos e selvagens por aí, mostrando a sua rotina, procedimentos e tudo o que tem direito.

Agora, sabia que existe um canal brasileiro que mostrará tudo isso?

Idealizado pelos médicos veterinários Roberto Fecchio e Rodrigo Rabello, dois Ases da medicina de selvagens no Brasil, o canal Wild Vets Brasil já começou bombando no youtube, com mais de 20 mil inscritos em poucas semanas! Corre lá para ver o primeiro episódio, mostrando um tratamento de canal em um tigre e aproveita para se inscrever e não perder mais nenhum episódio!

Nasci para ser veterinário – Experiências Veterinárias | Deprecast #13

Você já passou por alguma experiência que te marcou muito na veterinária? São essas experiências que eu quero compartilhar nessa nova série de podcasts chamada Experiências Veterinárias!

Participantes do cast:

Luiz Corsi
Instagram: @lgcorsi

LINKS DO PODCAST:

Manual do Calouro de Medicina Veterinária: https://amzn.to/2FlZRS7

Duração: 15 minutos. Data: 21 de novmebro de 2019.

DOWNLOAD

(clique com o botão direito do mouse e “salvar como”)

Gostaria de aparecer no próximo programa? Envie um e-mail para contato@vetdadepre.com.br contando suas experiências ou comentando alguma coisa relacionado a este programa, ele poderá ser lido no próximo Deprecast!

Curso de auxiliar veterinário: vale a pena?

Os cursos de auxiliar de medicina veterinária têm se popularizado cada vez mais no Brasil. Com isso, sempre vem a dúvida: vale a pena fazer esse curso de auxiliar de veterinária? A resposta não é tão simples assim. Na verdade, depende…

O primeiro ponto a levar em consideração é que a atividade de auxiliar veterinário não é regulamentada como profissão no Brasil. Não existe uma lei determinando quais são as prerrogativas exclusivas do auxiliar veterinário, como é o caso da Lei nº 5517, de 1968, sobre a profissão de médico veterinário. No entanto, a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) do Ministério do Trabalho e Emprego reconhece a função de auxiliar veterinário como área profissional enquadrada dentro do grupo “trabalhadores de serviços veterinários, de higiene e estética de animais domésticos”, para fins de registro em carteira de trabalho. Portanto, não é obrigatório cursar qualquer curso para atuar como auxiliar veterinário.

Todavia, mesmo não sendo obrigatório, houve a disseminação destes cursos “técnicos” (atenção: não há nenhuma resolução que defina qual curso é técnico ou não) e de auxiliar por todo país. O grande problema é que, justamente por não haver regulamentação, estes cursos possuíam grande discrepância em carga horária e conteúdo ministrado, especialmente por não ser claro o que o auxiliar poderia realizar e o que seria prerrogativa exclusiva do médico veterinário. Por isso o Conselho Federal de Medicina Veterinária publicou duas resoluções importantes em 2019. A resolução nº 1259, de 28 de fevereiro de 2019, definiu as diretrizes para os cursos de auxiliares de veterinário; e a resolução 1260, de 28 de fevereiro de 2019, definiu os limites de atuação dos auxiliares de médicos veterinários.

Na prática, o que estas duas resoluções quiseram dizer foi “O auxiliar de veterinário pode fazer isso, isso e isso.Aquilo aquilo lá só o médico veterinário pode fazer. Ah! Os cursos que quiserem, nós também realizaremos um acreditamento pelo CFMV e os auxiliares receberão uma carteirinha. Só não pode esquecer de pagar a anuidade do Conselho.”. Como não é profissão regulamentada, o CFMV não pode exigir que os auxiliares façam o registro no Conselho, todavia, se você desejar fazer o registro o seu curso deverá seguir uma série de exigências (explicadas na resolução), como carga horária de 120 horas presenciais e 80 horas de estágio final.

Embora o registro no Conselho não seja obrigatório, isso serviu para dar um chacoalhão nos cursos que estavam sendo ofertados por aí (haviam cursos inteiramente online, acreditem). Porém, com essas duas resoluções, a tendência do valor dos cursos é aumentar bastante. Tenho seguidores que disseram que pagaram até R$7 mil no curso completo, de um ano e meio. E, sendo bastante sincero: não sei se é financeiramente rentável.

Obso Conselho não pode fazer nada contra os auxiliares de veterinária que não têm curso. Todavia, lembrem-se que estes cursos são ministrados por médicos veterinários, e nestes aqui o Conselho pode autuar. Lembre-se que, segundo o Código de Ética, o médico veterinário não pode ensinar práticas exclusivas do veterinário a não veterinários ou pessoas que não estejam na graduação. E aí, você que é médico veterinário e professor de curso de auxiliar que não é registrado, o Conselho pode pegar no seu pé.

Mas aí vem a pergunta: para quem são os cursos de auxiliar de médico veterinário?

Eu recomendaria esse curso em dois casos. Primeiro seria aquela pessoa mais jovem, com seus 17 a 20 anos e que ainda não tem certeza se a veterinária realmente é aquilo que ela deseja realizar para o resto da sua vida, que está insegura com o mercado de trabalho ou mesmo aquela pessoa que não sabe se dará conta de atender um paciente em caso grave. Com o curso de auxiliar de veterinário ela poderá ter um contato mais próximo com a profissão, poderá ver como são realizados os atendimentos e ainda conviver com médicos veterinários e estagiários de medicina veterinária para tirar dúvidas. Aliás, se você tem medo de sangue e quer ser veterinário, recomendo ler este artigo aqui.

Algumas pessoas sempre me falam “Luiz, eu quero fazer faculdade e ser médico veterinário, mas não consigo pagar a faculdade agora, vale a pena eu fazer o curso de auxiliar?“. Se você pensa em fazer faculdade no curto a médio prazo, ali nos próximos 3 a 4 anos, minha resposta é: não. Digo isso porque a inserção no mercado de trabalho para os veterinários já está bastante complicada, para os auxiliares está pior ainda. É só você ler os comentários do vídeo que postei em nosso canal do youtube, na qual dezenas de auxiliares relataram que está muito difícil conseguir emprego. Nesse caso, não acho que valha você fazer um curso de um ano, pagar alguns milhares de reais, sendo que em poucos anos você estará na faculdade.

Porém, existem aquelas pessoas que precisam trabalhar, garantir o seu sustento e que talvez não tenham tempo ou condições de bancar uma faculdade de veterinária. Aí sim eu recomendaria o curso, porque você estará intimamente ligado à profissão, auxiliará os médicos veterinários e terá contato próximo com os pacientes.

A questão para todos que estão pensando em realizar o curso de auxiliar de veterinária é: procurem escolas de qualidade. Não gastem dinheiro em cursos de 10, 20, 30 horas, muitas vezes apenas pela internet, sem parte prática. Procurem instituições reconhecidas no mercado, aproveitem essa acreditação do CFMV e escolham escolas registradas. Se possível tentem conversar com ex-alunos do curso para saber como ele é, e como estas pessoas estão trabalhando hoje. Lembrem-se também que a sua inserção vai muito além do diploma: enquanto fizerem o curso, façam o máximo de networking possível e peçam indicações para os seus professores, pois eles, mais do que ninguém, poderão te ajudar a conseguir uma vaga tão esperada naquela clínica top!