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Diário de um estudante de veterinária

Olá, pessoas.

Como esta é a minha primeira postagem neste Blog, permitam-me que faça as devidas apresentações!

Meu nome é Mônica Fettback, mas podem me chamar de Mô. Estou cursando Medicina Veterinária como minha segunda graduação. Tenho 29 anos, sou casada e moro em Caucaia do Alto, Cotia, e estudo na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo capital, à noite. Além de acadêmica e empresária (sim, tenho que trabalhar duro, afinal, tenho 20 cães e outros bichos pra sustentar, além da casa, e meu marido não é rico… ao menos não ainda, né amor? Rsrsrs), crio cães (como hobby, não vivo disso!) e tenho váááários outros bichos em casa.

Desde criança sonhava em ser Veterinária. Sempre gostei de bichos, sempre gostei de entranhas e sangue – kkkk – mas quando terminei o colegial (é, este era o nome do atual ensino médio) deu uma bobeira e não me achei madura o suficiente para cursar uma graduação em que eu precisasse lidar com a questão de vida e morte. Tinha firme na minha cabeça que “o primeiro que morresse na minha mão, eu iria junto”, então fui cursar algo na área de Humanas, onde não mataria ninguém… 🙂

Aíííí, depois de alguns (vários) anos (pois me formei em 2003 na primeira faculdade), resolvi finalmente realizar o sonho de cursar Medicina Veterinária. Isso só foi possível com o apoio da família (pai e mãe) e também do meu marido, para quem sobrou cuidar sozinho dos nossos cães à noite, enquanto estou na aula. Outro fator determinante foi a atual existência de cursos noturnos aqui em São Paulo. Optei pela Anhembi Morumbi pela carga horária pouca coisa menor que a da USP (mesmo sendo noturno, o curso é bem puxado) e pela estrutura da Universidade. O preço da mensalidade é que é uma facada básica… rs… mas vamos deixar essa parte deprimente pra lá!

Estudar à noite tem suas coisas engraçadas. Uma delas é que a faixa etária é um pouco mais alta do que os cursos matutinos e integrais, e não é raro encontrar pessoas já graduadas em outros cursos. Na minha turma, por exemplo, tem uma engenheira e uma médica humana! Acreditam? Pois é… Pessoal que depois da vida estabilizada, resolveu se meter nos bancos da graduação outra vez… hehehe
Enfim.

Este semestre, para mim, é o 7º de 10. As disciplinas que temos neste período lá na UAM são: Clínica de Pequenos II, Clínica de Grandes II, Clínica de Aves e Suínos II, Clínica Complementar ao Diagnóstico II e ITPOA II. Tem também a disciplina de Gestão em Medicina Veterinária II, q é sobre administração de negócios da área veterinária e etc, mas graças à minha primeira graduação, estou em vias de conseguir ser dispensada desta matéria. Aleluia! Rs

A parte interessante de estudar à noite é que nossa aula começa depois de um dia estressante de trabalho, para a maioria de nós. Muitos chegam atrasados pelo trânsito louco do fim de tarde em São Paulo, ou porque os respectivos chefes resolveram pedir hora-extra, ou ainda porque estavam em reunião… Mas, entre mortos e feridos, salvam-se quase todos.

Minha turma começou bem grande, com mais de 40 alunos no 1º semestre, mas hoje somos por volta de 20. Isso porque uma boa parte destes 20 e poucos têm DP’s por fazer ou cursando em outros períodos, o que já demonstra que poucos resistem ao curso puxado e, claro, à mensalidade mais puxada ainda… rs

Sou – e sempre fui – um tanto quanto exigente comigo mesma em relação a notas e aproveitamento daquilo que estou estudando. Tá, outro nome pra isso é CDF, mas não é beeeeem o meu caso… Rs. Semestre passado passei um sustinho básico em Clínica de Aves e Suínos I e este semestre prometi a mim mesma que não deixaria isso acontecer outra vez (mas ô materiazinha triste, essa…)! Então estou sendo BEM mais assídua (não é fácil dirigir 70 km de ida e 70 km de volta todo dia para ir à faculdade! A preguiça é algo que existe na vida das pessoas!) e procuro não faltar “à toa”… Mas confesso que tem dias em que isso é difícil!

Ontem foi um destes dias. A aula de Clínica de Grandes vai ter de ser copiada do caderno da minha querida amiga Flá Passoni… Porque me faltou coragem para sair de casa naquele calorão de mais de 30 graus, pegar o carro e ir até São Paulo, encarar trânsito, mais calorão… Ah! Acabei ficando por aqui!


E hoje a aula é de Clínica de Pequenos. Estamos no módulo de Dermatologia e temos um “trabalhinho” (questionário) sobre uso de doramectina em cães e sobre tratamento de sarna demodécica. Tá aí outra coisa, quem vem pra veterinária achando que vai se livrar dos números está muuuuuito enganado, viu! É no cálculo  de doses que eu vejo muita gente se dar mal, então crianças, a minha dica do dia é: saibam fazer contas de mais, menos, vezes, dividido e a boa e velha “regra de três”, porque sem isso não se chega a lugar algum… hehehe

Mega-beijo a todos!!!

Mô Fettback

Mônica é acadêmica do 7º período de Medicina Veterinária na Universidade Anhembi Morumbi.

Palavras de uma veterinária

Caros leitores futuros veterinários. Estou aqui escrevendo não somente para incentivar os futuros acadêmicos dessa maravilhosa profissão, mas também os que já estão caminhando para a merecida e emocionante hora do “outorgo-lhe o grau de médico veterinário”.
Estou formada já faz um ano pela PUCPR. Durante meu curso, senti na pele que o amor pelos animais não é o suficiente para nos tornarmos verdadeiros médicos veterinários. É necessário entende-los. E não tiro a importância de termos um pouco de sangue frio.

Isso sem contar que precisamos de paciência. Estudar todas as espécies e suas particularidades não é mole. Anatomia, Imunologia, Bioquímica, Patologia e Clínica Médica e Cirúrgica. A caminhada é longa e cheia de obstáculos.
Provas, trabalhos, aulas práticas, estágios e plantões. Cansa. Mas não há sensação melhor nesse mundo de conseguir, a cada semestre, nossos objetivos, e assim aprender, e aperfeiçoar. Se eu tivesse a oportunidade de fazer novamente o curso todo da veterinária, com certeza eu faria.
Vi muitos desistirem. Vi muitos indecisos. E vi a maioria não fazendo a menor idéia de qual área deveriam seguir. Eu mesma me encaixo nesse perfil. Decidi optar pela inspeção de produtos de origem animal no último ano de curso, onde percebi a importância da nossa profissão na saúde pública, e também o reconhecimento e a falta de pessoas interessadas nessa área. Até pelo fato de que é uma carreira que, apesar de promissora, muito difícil.  E eu gosto de desafios! Não fiz exatas pois odeio matemática. Não fiz direito pois não gosto de leis. E não é que hoje, uso a matemática diariamente para estudos de viabilidade, e meu emprego depende de estar sempre atualizada quanto os aspectos legais vigentes.

Os veterinários de hoje em dia precisam ser multidisciplinares. Entender de processos, de pessoas e de gestão. Esse é o diferencial. Não desistam, e lembrem-se de que SEMPRE podemos fazer melhor!

Bettina Bastos Michalak – Médica Veterinária
Além de ser leitora assídua do Vet da Deprê, Bettina é Médica Veterinária formada pela PUCPR há 1 ano. Hoje trabalha em Santa Catarina como Gerente Técnica do Departamento de Inspeção Estadual – DIE. 

Dica de livro para médicos veterinários: Ben Carson – Mãos Talentosas

Imagine que você é pobre, negro, filho de mãe solteira e vive na periferia de Detroit dos anos 60. Além de tudo isso, você é o pior aluno da escola e todos seus colegas zombam de você. Agora imagine que depois de todos estes obstáculos você se tornou o maior neurocirurgião pediátrico do mundo. Imaginou? Parabéns, você conseguiu ter uma ideia de quem é Benjamin Carson, o primeiro neurocirurgião a conseguir separar dois gêmeos siameses interligados pela cabeça, conseguindo preservar a vida das duas crianças, o que até então era considerado impossível.
Há algumas semanas fiz uma lista de livros motivacionais para estudantes de veterinária. Embora o Dr. Carson seja um médico “humano”, não pude deixar de incluir seu livro nesta lista. Mais do que uma biografia, “Ben Carson” acaba se tornando um relato de motivação à todos que aspiram pela excelência profissional.

Confesso que fiquei conhecendo o livro através do filme Mãos Talentosas – A História de Ben Carson, feito para televisão, mas que não fica nada atrás das grandes produções hollywoodianas. Tanto o filme quanto o livro começam a narrativa contando a infância de Benjamin.

Desmotivado e cansado de tirar as piores notas da sala, Ben se culpava por ter nascido burro. Nessa altura, aparece uma das principais motivadoras de sua vida, chamada Sonya Carson, sua mãe que foi abandonada pelo marido com duas crianças para criar. A Sra. Carson sempre trabalhou em prol dos filhos e nunca deixou que se sentissem pior do que os demais colegas, muito pelo contrário, “Você pode fazer qualquer coisa que os outros fazem… Mas somente você pode fazer melhor!“. Exigiu que seus filhos assistissem somente dois programas de televisão por semana e que passassem todo seu tempo livre na biblioteca, na qual deveriam apresentar relatórios de pelo menos 2 livros por semana.
Sempre obedientes à sua mãe, Benjamin e seu irmão fizeram como o combinado e começaram a sentir a mudança em suas vidas. Ben já não tirava mais as piores notas de sua sala e começou a gostar disso. Foi o melhor aluno de sua escola na oitava série e o terceiro aluno melhor no ensino médio. Conseguiu uma bolsa de estudos completa para o curso de medicina na renomada Yale University. Após terminar a faculdade, brigou por 2 vagas do programa de residência em neurocirurgia do Hospital Johns Hopkins, dentre mais de 130 candidatos. Conseguiu, até que em 3 anos se tornou chefe do departamento de neurocirurgia pediátrica.
Tudo isso até ser desafiado a realizar a maior cirurgia de sua vida: a separação de dois gêmeos siameses ligados pela parte posterior da cabeça. Até então tal cirurgia era feita, mas infelizmente uma das crianças morria. Inconformado com tal posição o Dr. Carson preparou uma operação complexa e delicada que exigiu cinco meses de preparativos e vinte e duas horas de cirurgia. Executando tal feito com excelência, Ben Carson conseguiu fama de relevância mundial.
Ben Carson – O menino pobre que se tornou neurocirurgião de fama mundial não é mais uma autobiografia qualquer. É uma lição de vida que todo estudante da área médica deveria aprender a seguir. Muitas vezes reclamamos de nossas vidas atuais, mas nunca paramos para pensar nos feitos que outras pessoas conseguiram em situações muito piores do que a nossa. Benjamin Carson foi uma destas pessoas, tornando-se exemplo de força, perseverança e fé para milhares de cidadãos no mundo inteiro.
Algumas vezes me pergunto se serei digno de alcançar um patamar destes em minha vida, até me lembrar das sábias palavras da Sra. Sonya Carson: “Você pode fazer qualquer coisa que os outros fazem… Mas somente você pode fazer melhor!”.
Dica: Dr. Carson levou sua vida baseada na frase “Think Big – Sonhe Alto” (ver foto). Na qual:
T = Talent and Time (talento e tempo); H = Hope and Honesty (esperança e honestidade); I = Insight (discernimento); N = Nice (bondade); K = Knowledge (conhecimento); B = Books (livros); I = In-depth learning (estudo profundo); G = God (Deus).
Dr. Carson relata até hoje em suas palestras “Se você puder se lembrar destas coisas, se aprender a sonhar alto, nada na Terra o impedirá de ser bem-sucedido no que quer que você escolha fazer.“.
Ben S. Carson e Cecil Murphey
Editora: Casa Publicadora.
Páginas: 272.
Ano: 2009.
Aproveite e confira também o excelente filme do livro, chamado “Mãos Talentosas – A História de Ben Carson”, estrelado pelo Cuba Gooding Jr.

 


 

Como se tratar o médico veterinário

Muitas são as queixas dos veterinários em relação aos proprietários de cães e gatos na hora da consulta, onde acham que o veterinário é algum tipo de São Francisco de Assis, ou que o veterinário está 100% de seu dia disponível para atendimento.

Sei que muitos donos não fazem por mal e não é querendo menosprezar nenhum proprietário, muito pelo contrário, mas não pude deixar de compartilhar com a classe este manual, escrito pelo falecido Dr. José Antonio Pires Rabitto.

Manual para os donos de animais: 
Como se deve tratar o Médico Veterinário

1. Médico Veterinário dorme. Pode parecer mentira, mas Médico Veterinário precisa dormir como qualquer outra pessoa. Não o acorde sem necessidade.

2. Médico Veterinário come. Inacreditável, não? Mas é verdade. Médico Veterinário também se alimenta, e tem hora para isso.


3. Médico Veterinário pode ter família. Essa é a mais incrível de todas: mesmo sendo Médico Veterinário a pessoa precisa descansar no final de semana e precisa de um tempo com a família.

4. Pergunta: Nas situações acima o Médico Veterinário atende? Resposta: Sim. Pode atender, desde que seja pago por isso. Desnecessário dizer que nesses casos o atendimento tem custo adicional. Por favor não pechinche. Ah. E cara feia na hora de assinar cheque não diminui o que você tem que pagar. Se queria mais barato poderia ter procurado outro profissional. O combinado não é caro.

5. Outra pergunta: Se eu quiser que o Médico Veterinário atenda um retorno nessas horas, tenho que pagar? Outra resposta: LÓGICO !!!

6. Médico Veterinário precisa de dinheiro. Por essa você não esperava, né? É surpreendente mas Médico Veterinário também paga impostos, alimentação, combustível, vestuário, etc.

7. Uma coisa bizarra: Os medicamentos que ele tem, não chegam a ele gratuitamente. Impressionante, não? Entendeu agora o motivo dele cobrar quando usa algum?

8. Medicar animais é trabalho. E trabalho sério. Pode parar de rir. Não é piada.

9. Não é possível examinar animais pelo telefone. Essa nem vou comentar.

10. De uma vez por todas, para reforçar: Médico Veterinário não é vidente. Ele precisa examinar o animal e muitas vezes precisa de exames complementares. Se quer milagre, tente uma macumba e deixe o Médico Veterinário em paz.

11. Consulta custa R$ 70,00 mas olhadinha R$ 250,00

12. Não é por que o paciente faleceu que o médico não presta, ou ainda VOCÊ não precise pagar a conta…. O Médico Veterinário por melhor que seja, ainda está abaixo de Deus.

13. Pacientes terminais morrem, e o clínico tem de receber pela consulta sim…

14. O uso do celular: Celular é ferramenta de trabalho. Por favor ligue apenas quando necessário. Fora do horário de expediente, mesmo que você ainda não tenha acreditado, o Médico Veterinário pode estar fazendo alguma daquelas coisas que você pensou que ele não fazia, como dormir por exemplo.

15. Antes da consulta: Por favor marque hora. Se não marcar, não fique andando de um lado para o outro na sala de espera e nem pressionando a secretária. Ela não tem culpa da sua idiotice. Ah! E não espere que o clínico vá te colocar no horário de quem já marcou. Se tiver fila, você vai ficar por último. Na próxima vez ligue antes. Só venha sem marcar em caso de emergência (que seja realmente emergência) por favor.

16. Se quer ser reconhecida no telefone, diga alguma coisa consistente. Um “oi, lembra de mim?” só desperta vontade de responder que está na cara que o clínico reconhece a voz de cada uma das milhares de pessoas que já passaram por lá. Se já faz mais de um ano que você não aparece, fica ainda mais difícil. Ah! E existe mais de uma “Maria, dona do Rex” no mundo. Repetir a mesma pergunta mais de cinco vezes não vai mudar a resposta. Por favor, repita no máximo três. O clínico não está sob investigação policial.

17. Quando se diz que o horário de atendimento é até meio dia, não significa que você pode chegar 11:55. Se chegar o preço é outro, ou volte depois do almoço. O mesmo vale na hora do fim do expediente. Emergência? Claro que o Médico Veterinário atende, mas se estiver fora do horário normal, está fora do preço normal.

18. A cor e a quantidade de urina que seu cão produz é um dado importante para o veterinário, mas basta que ele urine uma ou duas vezes para que tudo seja esclarecido. Não é bonito deixá-lo fazer xixi em toda a sala de espera, principalmente se ouvir o comentário de que a faxineira não trabalha 24 horas.

19. Na hora da consulta: Bastam alguns membros da família para acompanhar o animal e responder às perguntas do clínico. Por favor deixe os amigos do cunhado e seus vizinhos com respectivos filhos nas casas deles. Embora seja quase uma “performance”, não há justificativa para que seu filho convide a classe inteira para acompanhar seu cão ao veterinário.

20. Sim, a forma que o Médico Veterinário usa o termômetro para aferir a temperatura é meio estranha, mas se os coleguinhas não acreditarem, azar deles. Não precisa trazê-los para provar que não mentiu.

21. Não importa o quanto seu bichinho é dócil em casa. Se o Médico Veterinário sentir necessidade de colocar uma mordaça é direito dele. Se o dono não me deixar colocar mordaça eu não atendo! Preciso das minhas mãos para trabalhar.

22. Médico Veterinário também se fere e sangra. Nem vou dizer que Médico Veterinário também sente medo, para não cair em descrédito.

23. Por favor controle sua criança. Se perceber que seu anjinho está destruindo o ambulatório, não espere que o Médico Veterinário assuma o papel de educador que é de sua responsabilidade. É constrangedor para todos. Se não consegue controlar a candura, diga para ela fazer companhia aos amigos do seu cunhado e vizinhos. (se eles estiverem no lugar certo)

24. Não fique bombardeando o Médico Veterinário com milhares de perguntas durante o atendimento. Isso tira a concentração, além de torrar a paciência. Evite perguntas que não tenham relação com o caso.

25. Paciência você já sabia que Médico Veterinário tem não é? Mas aposto que foi uma surpresa descobrir que ela tem limites.

26. Falando em limite… uma conversinha pessoal pode até dar um tempero ao atendimento, mas a vida sexual da sua amiga definitivamente não interessa ao clínico. Principalmente se você resolver confidenciar isso na hora em que ele estiver usando o estetoscópio.

27. Dificilmente um quadro clínico se altera em menos de cinco minutos. Não adianta ficar ligando a todo instante para saber do animal internado. Parentes e amigos também podem ligar, mas por favor não fique pedindo isso a eles toda hora.

28. Visitas aos internados são até desejáveis, mas você vai concordar que duas horas é tempo mais do que suficiente para ver como está seu bichinho, né? E se notar que ele fica muito agitado, gritando depois que você sai, evite visitar, ou venha no final da tarde. Além de não ser bom para o animal, se o Médico Veterinário puder começar o dia sem berros na orelha, ele prefere.

29. Ao visitar, lembre-se do seu endereço. Você não está na sua casa. Não fique circulando pela clínica, muito menos queira ficar bisbilhotando o que o clínico está fazendo. Se ele estiver escrevendo no computador, melhor não ir olhar o que é. Pode ser um texto como esse e você vai ficar envergonhado. Se é que alguém que faz isso tem um mínimo de vergonha.

30. Infelizmente, a cada consulta, o Médico Veterinário só poderá examinar um animal. Trazer sua cachorrinha para o parto e ficar tentando sair da clínica com uma receita para o seu outro cachorro – aquele que se coça até sangrar, e que não respondeu ao óleo queimado, enxofre, creolina e ervas em geral- é inútil.

31. Lamentamos informar, mas seu outro cão também terá que passar por consulta, e pagar por ela. Não é porque você finalmente decidiu-se a levar seu cão de 10 anos pela primeira vez ao veterinário, que ele tem a obrigação de resolver todos os problemas de uma só vez, em apenas uma consulta. Primeiro será tratado o câncer, a diabete, e a insuficiência cardíaca. Depois que a vida estiver considerada como salva, é que você receberá a receita de vermífugos, antipulga, e quem sabe também a receita sobre o tratamento daquela “bolinha” na pele que ele tem há 8 anos, e nunca incomodou.

32. Se o seu Médico Veterinário examinou seu cão, fez exames complementares, estudou o caso e te disse que é necessário fazer uma cirurgia, não tente dissuadi-lo disso só porque o cão do seu amigo também mancava da mesma pata e nem precisou operar. Cada caso é um caso, e não existe só um motivo para que os cães manquem, se cocem, ou parem de comer.

33. Não. Lamento decepcionar, mas a cirurgia de osteossíntese que talvez precise ser feita naquela fratura do seu cão, não está inclusa no preço da consulta.

34. Deixe para fazer retorno somente depois de ter comprado e administrado os remédios que constam da receita. Por mais que se esforce, o Médico Veterinário não conseguirá melhorar seu cão examinando-o 2 vezes ao dia, se ele não for medicado. Compreendemos que o remédio é pago e o retorno é gratuito, mas nesse caso específico você terá que gastar.

35. O Médico Veterinário não deixará de cobrar a consulta só porque você já gastou demais comprando remédios na avicultura. Pergunte para o Zé do balcão onde ele se formou!
Não foram os veterinários que inventaram o ditado “O barato sai caro”.

36. Encontrou um animal ferido na rua? Está com pena dele? Então leve ele a um Veterinário. Mas não se esqueça dos tópicos acima. Se está a fim de fazer uma boa ação, pague por ela. Não venha querer exigir que outros paguem por sua “nobreza”.

37. Não trouxe dinheiro? Você sabia que até para freqüentar a Casa da Mãe Joana precisa ter dinheiro? E que tal dizer que está sem dinheiro ANTES da consulta?
Mas Doutora, você não se formou para isso? Não deve ajudar todo mundo?
Ta bom, e vou comer o que? Como vou pagar as contas?
E você trabalha de graça também?

Este post foi quase um desabafo… de uma veterinária que esta bem cansada de ser maltratada!
Parece mentira, mas tudo que esta escrito ai faz parte do dia-a-dia de nós médicos veterinários.