fbpx

Onde eu consigo achar artigos científicos?

A pergunta pode parecer um pouco sem sentido e a resposta um tanto quanto óbvia para os pós-graduandos, mas acredite, a grande maioria dos universitários não sabe fazer uma pesquisa científica básica. Arrisco a dizer que metade da minha turma não faz ideia do que seja um periódico, e olha que estou no 4º ano do curso.
Visando esta defasagem e aproveitando que na maioria das vezes os alunos não tem ninguém para explicar, resolvi fazer um pequeno tutorial ensinando a procurar artigos na internet. A partir de hoje, chega de Wikipedia e bora fazer uma ótima bibliografia para o seu trabalho!

A primeira dica é, como sempre, pesquisar no Google. O único inconveniente, é que o filtro do google é um tanto quanto “liberal”, ou seja, irá aparecer tudo o que a internet puder lhe proporcionar, e isso pode incluir  no kit informações precipitadas e/ou defasadas. Caso você não queira fugir dele, tente dar mais atenção às páginas que se pareçam com artigos científicos, principalmente aquelas disponíveis em PDFs e que  no mínimo contenham bibliografia. Fuja dos blogs e das páginas mal feitas (aquelas que você percebe que é caseira). Páginas de universidades são ótimas fontes de conteúdo, assim como o Google acadêmico também é uma boa opção.
Se o que você precisa é realmente um artigo científico, é com grande prazer que lhes apresento o Portal de Periódicos da CAPEShttp://www.periodicos.capes.gov.br/, o “google” da pesquisa científica brasileira. Nele acredite, você com certeza encontrará algum artigo relacionado ao tema que você está procurando. Desta vez o porém é que a maioria esmagadora dos artigos são publicações internacionais, ou seja, em inglês. Portanto trate de afiar o seu the book is on the table caso você queira encontrar alguma publicação de peso na área em que precise.
Minha segunda dica que é você arranje um notebook e vá para a biblioteca da sua faculdade, ou use os computadores da própria biblioteca e se conecte na internet por lá. Mas por que eu tenho que usar a internet da faculdade para poder pesquisar? A resposta é simples (ou não). As universidades assinam uma série de periódicos online que só podem ser visualizados através de sua conexão, ou seja, de seu proxy. Usando o proxy da sua faculdade as chances de você encontrar artigos interessantes aumentam exponencialmente. Procure também se informar com o pessoal da informática ou da própria biblioteca, pois algumas universidades (se não todas) disponibilizam o proxy para que você use a conexão de sua casa, mas isso pode variar de uma para outra.
Bom, o básico é realmente isso. Para usar o sistema do Portal da Capes, é só você selecionar á área do conhecimento, que no nosso caso é a Ciências Agrárias (ou Saúde e Biológicas, em outros casos) e digitar as palavras chaves em inglês do que você quer pesquisar (ou tentar a sorte em português). O portal irá fazer a pesquisa nos periódicos disponíveis e lhe dará o resultado. Clicando no link do artigo desejado você irá para outra página que lhe dará mais informações sobre o artigo, e então basta clicar no “acesso online”.
É isso, seu artigo está na mão!
Este é o jeito mais fácil que eu conheço de pesquisar artigos de qualidade e tenho certeza que muita gente que não está envolvida na área acadêmica não conhecia.

Procure também se informar sobre os periódicos científicos da sua própria faculdade ou pesquise no SciELO da FAPESP e do CNPq. Aqui na UEL nós temos a Revista Semina, que contém boa parte das pesquisas relacionadas à região (clique aqui para conhecer). É inclusive uma boa ideia você pesquisar pela revista da sua universidade, pois pode acabar achando artigos de seus professores e fazendo aquela moralzinha com eles!
Caso você realmente não encontre o que deseja, peça ajuda aos universitários do nosso grupo de estudos do facebook clicando aqui. Tenho certeza que eles saberão como te ajudar! Ou não hahaha!
Dúvidas e novas sugestões são sempre bem vindas!

Qual a diferença entre zootecnia e veterinária?

Embora eu não seja um expert no assunto, pois sempre gostei mais de animais de companhia, muitas pessoas já vieram me perguntar qual a diferença entre estas duas profissões, que aparentam ser muito parecidas, e acabam confundindo a cabeça das pessoas que são de fora do contexto agrário, ou que pretendem prestar vestibular. Deixando qualquer “rixa” de lado, espero que este artigo funcione de modo a esclarecer todas as dúvidas referentes ao assunto, e qualquer coisa que eu não saiba, existe o campo de comentários para vocês perguntarem!

A zootecnia, na verdade, nasceu como uma vertente da medicina veterinária, coisa que poderão notar ao perceber que a maioria dos cursos de zootecnia das grandes faculdades são relativamente novos, em relação aos cursos de veterinária. Com a especialização cada vez maior dos cursos de graduação, a zootecnia acabou se desmembrando e conseguindo com êxito seu espaço dentro do contexto agrário.

Mas então, qual é a diferença?

A medicina veterinária é a área especializada na saúde do rebanho, seja ele qual for a espécie, mais comumente falado sanidade animal. O médico veterinário é aquele responsável pela prevenção, controle, erradicação e tratamento das doenças do rebanho. Já o zootecnista é quem cria este rebanho, de modo à conseguir sua máxima eficácia em produção, sendo o responsável pela parte de nutrição e alimentação, melhoramento genético, manejo e administração da propriedade.

Lembrando que o profissional formado em zootecnia está cada vez mais inserido também no mercado pet e de animais selvagens, seja com o manejo propriamente dito ou na confecção de rações balanceadas para as diferentes espécies animais.

Durante o período de faculdade, ambos os cursos são muito parecidos, mas cada um é mais especializado na área em que irá seguir. Por exemplo: ambos os cursos tem a matéria de anatomia em sua grade curricular. Porém, a carga horária no curso de veterinária é muito mais pesada, algo em torno de 150 horas, contra 50 horas de zootecnia. Coisa que se opõe, quando o assunto são matérias de nutrição e melhoramento genético, por exemplo.

O mesmo vale para os professores. Normalmente os professores que dão aula de nutrição, alimentos e melhoramento para a medicina veterinária são zootecnistas. O inverso acontece quando os alunos de zootecnia recebem aulas de anatomia, microbiologia e parasitologia. Isso para exemplificar as matérias mais básicas.

Eu ainda me arrisco à fazer uma analogia com os cursos de engenharia. Existem vários cursos específicos, como engenharia elétrica, mecânica, civil, etc. Acredito que a zootecnia seria como o curso de engenharia de produção das ciências agrárias, na qual se precisa ter uma noção básica de todas as outras engenharias, para que possa conduzir efetivamente seu trabalho de manutenção da propriedade.

Na prática rural infelizmente (ou felizmente?) tudo acaba se misturando um pouco, todos são considerados “doutores” e acabam realizando a mesma coisa. Mas já existem movimentos contrários à isso, principalmente com a criação do Conselho Federal de Zootecnia, na qual pretende separar estas duas áreas e torná-las independentes. Mas isto, por enquanto, são emoções para os próximos capítulos!

Dúvidas são sempre bem vindas no campo dos comentários, e qualquer coisa que eu não saiba, os outros leitores estão aí para ajudar!

MEC reconhece programas de residência

Neste mês de abril o Ministério da Educação (MEC) formalizou o reconhecimento da residência em Medicina Veterinária no país, através da concessão de 169 novas bolsas aos novos residentes. 
Antes, a regulação dos programas de residência em medicina veterinária era feita pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), que fazia o acompanhamento da qualidade dos cursos. Dos 170 cursos de graduação de medicina veterinária no país, 60 mantêm programas de residência, na qual destes 60 apenas 21 possui tal reconhecimento pelo CFMV.
A partir de agora, o MEC passa a reconhecer tais programas não como especialização, mas sim como pós-graduação latu sensu, com a regularização e financiamento da modalidade. As bolsas terão o valor de R$ 2.384,82 mensais, e serão ligadas primeiramente aos hospitais de universidades federais, com duração de dois anos.

Tal iniciativa tornou-se possível em 2005, com a criação da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS), do MEC, com o objetivo de enquadrar todas as outras modalidades de residência.
A concessão destas novas bolsas poderá influenciar ainda mais recém-formados a procurarem os cursos de pós-graduação, vide que anteriormente o valor das bolsas era muito precário, girando em torno de 1 mil reais para 40 horas de trabalho. Agora, além das bolsas chegarem ao patamar de 2 mil, o treinamento será ainda mais intenso, com 60 horas semanais, que deverão ser divididas à critério da instituição em treinamento prático e aulas programadas.

Passei no vestibular, o que eu preciso comprar?

Pois é, se você achou que as listinhas de materiais acabaram quando você estava na 8ª série, está muito enganado!

Na verdade muitas pessoas ficam desesperadas, pois mal acabaram de entrar na faculdade e alguns professores já vem com imensas listas de materiais para comprar. Eu mesmo tenho uma amiga que faz odontologia e, segundo ela, gastou aproximadamente 5 mil reais em materiais só no primeiro ano. Como todo bom calouro, fiquei desesperado, pois achei que gastaria tanto quanto ela, e com certeza não teria todo esse dinheiro para investir. Mas calma pessoal, assim como o Odonto Depressão ajudou seus calouros, também ajudarei vocês!

O primeiro ano de medicina veterinária é básico, muito básico. Você não precisará gastar absolutamente nada em materiais no primeiro semestre, e sim em livros (aproveite e clique aqui para ver nossas dicas). O que você precisará comprar é basicamente um jaleco para as aulas em laboratório (recomendo comprar dois) e uma caixa de luvas de procedimento para as aulas de anatomia. Alguns estudantes gostam de comprar máscaras descartáveis devido ao cheiro do formol, mas na minha opinião isso é bobagem, pois querendo ou não o cheiro passa pela máscara facilmente.

Quando você começar a ter aulas de miologia em anato (estudo dos músculos), compre uma pinça anatômica ou peça emprestado a um veterano. Elas ajudam bastante na hora de você separar os músculos, principalmente aqueles pertencentes aos membros torácicos dos caninos e felinos (extensores e flexores).

O bixo pega mesmo é quando vocês precisarem fazer a dissecção de um cão. Varia muito de faculdade para faculdade, mas listarei abaixo os principais instrumentos que nós utilizamos aqui na minha, e o motivo de utilizarmos. Farei uma pesquisa de preço e, assim que conseguir, colocarei a média de cada material aqui.

Cabo de bisturi nº 4 e lâmina nº 24

1. Cabo e lâmina de bisturi (recomendo cabo nº 4 e lâmina nº 24).
Antes de mais nada na dissecção, é necessário que você faça a tricotomia do corpo inteiro do animal (retirada dos pelos). Alguns alunos podem pensar em usar máquinas de tosa, mas eu não recomendo pois o cão estará banhado em formol, e isso poderá estragar a lâmina da máquina. Aqui na minha faculdade a gente fez na fé e na coragem com o próprio bisturi (raspando o pelo).
Dá pra usar também aquelas lâminas de barbeiro, e caso você não tenha o suporte, poderá utilizar uma pinça hemostática para segurar, que funciona bem com esse tipo de lâmina. Acredito que gaste em média umas 15 lâminas para depilar um animal de porte pequeno a médio.

O bisturi também será utilizado para fazer as incisões e retirar a pele do animal.

Diferença de tamanhos entre os cabos de bisturi
Tesoura cirúrgica ponta romba fina

2. Tesoura cirúrgica ponta romba fina
Algumas estruturas você conseguirá cortar melhor com sua utilização. Sem contar que é sempre bom ter uma tesoura cirúrgica para quando você começar a fazer estágios na clínica (é o tipo de material que sempre precisa, mas todo mundo esquece de levar).

3. Pinça anatômica e pinça dente-de-rato
Você terá muita dificuldade se tentar separar os músculos com o bisturi ou com a tesoura. Com a ajuda da pinça anatômica você poderá separá-los muito mais facilmente. Com a pinça dente-de-rato terá muito mais apoio ao puxar a pele do animal, na hora da dissecção do subcutâneo/fáscia.

4. Porta agulhas, agulhas e fios
Na minha faculdade, meu professor exigia que a gente colocasse umas fitinhas com números catalogados em todos os músculos do corpo, mas com elas amarradas ao músculo. Na época todo mundo usou a pinça hemostática como porta-agulhas (para segura a agulha cirúrgica), mas aquilo acabou estragando boa parte das pinças. Caso você tenha uma graninha sobrando, recomendo que compre o porta-agulhas de uma vez para não estragar sua hemostática.

Porta agulhas (parece uma pinça hemostática, mas não é!)

Em relação às agulhas, você tem duas opções: comprar algumas agulhas cirúrgicas (aquelas redondas) ou comprar agulhas de seringa normal (25×7). Nas cirúrgicas, você precisa de algum fio grosso, como aqueles fios de pipas ou cordonês, por exemplo. Como as agulhas podem ser reutilizáveis, você precisa comprar apenas algumas (lembrando que elas podem quebrar). Já com as agulhas de seringa você utilizará fios de nylon. É só passar o fio por dentro da agulha, quebrar a bundinha (que eu nunca sei o nome) e apertar com uma pinça a parte da agulha que ficará com o fio. Nesse caso você precisará de várias agulhas, pois não dá para reutilizar a mesma.

5. Calculadora científica
Em algumas faculdades a matéria de estatística (ou bioestatística) é no primeiro ano, em outras é no terceiro. De qualquer modo tive que comprar uma calculadora científica pra resolver aquelas equações gigantescas. Eu comprei este modelo da Casio (FX-82MS), que normalmente é o mais utilizado e o mais fácil de mexer, mas este modelo da HP também não é ruim.

Uma dica para você carregar todos os materiais metálicos é comprar uma caixa cirúrgica de inox, que cabe tudo lá dentro. Aí pra não ficar chacoalhando dentro da mochila e parecendo uma marmita, é só colocar vários pares de luva enrolados igual meia junto com as pinças. Funciona direitinho :).

Bom galera, que eu me lembre, os principais materiais necessários no primeiro ano são estes. Depois que vocês passarem de ano, provavelmente já terão pego as “manhas” da faculdade e já saberão mais ou menos o que comprar nos próximos anos.


Lembrando que caso você resolva fazer estágio no setor de clínica, os professores poderão exigir roupa branca (ou pijama cirúrgico, se for em clínica cirúrgica, junto com gorro e máscara, assim como macacão para grandes), estetoscópio, termômetro, lanterna e relógio!

Espero que tenha sido útil para todos aqueles que estão começando a faculdade agora! Novas sugestões são sempre bem vindas, principalmente se eu esqueci de algo, :).

*Imagens obtidas através do site http://www.ufsm.br/tielletcab/HVfwork/apoptcv/cap4.htm